cadernos de pele e papel transformados em bytes

9.4.07

Um desenho?
Um desenho nunca está acabado.

Um projecto?
Um projecto nunca está acabado.

Havia já uns anos que ouvia estas frases com alguma frequência.
Os professores repetiam-nas como se declamassem poesia – a poesia da infinitude –

E um texto?
Nunca lhe haviam dito que um texto nunca estava acabado.
Inquietavam-se as pontas dos dedos.
Roçava-as umas nas outras, numa dança lenta e suave.
E olhos postos, aguardava a impossibilidade de ver as palavras a permanecerem no papel.
Mais uma vez as palavras, teimavam em fazer voos rasantes.
Frases soltas.
Intenções.

E um texto?

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